Bach

Suíte orquestral no. 3

por Adriano Brandão

O que é uma suíte? Essa é uma palavra de origem francesa que significa simplesmente “sequência”. Tipo, uma coisa atrás da outra. Só isso.

O gênero musical da suíte é exatamente isso: vários trechos, com pouca ou nenhuma ligação entre si, enfileirados. Pense numa coleção. Ele surgiu na segunda metade do barroco como uma maneira de fazer música variada para entreter cortes e cidadãos ávidos por novidades. Era, afinal, o barroco, época amante de exageros e contrastes… e de variedade!

A suíte barroca se estabeleceu como uma coleção de danças de diversas origens. Mais ou menos todos os ritmos que a Europa conhecia na época: a espanhola sarabanda, a inglesa giga, a italiana forlana e, como o gênero era essencialmente francês, as francesas gavota, bourrée e passepied (fora as mais universais courrant e minueto). É uma espécie de feira mundial ou Almanaque Abril em forma de música…!

Duas partes se diferenciam nessa ONU de danças: um momento mais lírico e cantável (e por isso chamado de “ária”) e, principalmente, a abertura. Composta invariavelmente em estilo francês – primeira parte solene e lenta, com marcante ritmo pontuado, segunda metade rápida e fugada – é tão característica e importante que o gênero da suíte é muitas vezes conhecido como “abertura”, simplesmente.

Bach não era um cara muito dançante, mas compôs quatro suítes (ou aberturas) orquestrais. Provavelmente serviam como agrado eventual aos patrões de Leipzig, já que Bach sempre foi um empregado meio rebelde e cheio de reivindicações. O fato é que, compostas em diferentes épocas, quase certamente baseadas em música escrita anteriormente, as suítes ficaram muito populares.

Principalmente a Terceira, de orquestração mais brilhante, com trompetes e tímpanos, e dona de uma tocante ária, que com a abertura forma os dois centros de gravidade da obra. (A ária, coitada, recebeu inúmeros arranjos, em geral melífluos e xaroposos, que fazem pouco jus a Bach.) Seguem a essas partes duas gavotas, uma bourrée e uma giga para finalizar espetacularmente.

Escolhi um vídeo bem extremo da Suíte no. 3 de Bach para choc, digo, mostrar para vocês: Reinhard Goebel e seus tempos ultrarrápidos. Goebel é veloz até na ária, que fica bem diferente das versões bregófilas que muitas vezes se ouve por aí. É diferente e legal. E prova que tocar com instrumentos de época, a essa velocidade, é muito difícil – ô povo desafinado!

Dos mesmos diretores de Ilha Quadrada, eis o Concertmaster, um front-end que transforma o Spotify em um poderoso player de música clássica. GRÁTIS!

Post escrito por Adriano Brandão em 07/02/2013. Link permanente.