Chopin

Prelúdios, op. 28

por Adriano Brandão

Algumas obras musicais exercem fascínio extra por serem tão enigmáticas. Os magníficos 24 Prelúdios, op. 28, de Chopin, estão entre elas.

Começa pelo próprio nome: “prelúdio”. Prelúdio é algo que antecede outra coisa, que vem antes de um acontecimento principal. Igual à preliminar no futebol – alguém se lembra dos curiosos campeonatos de aspirantes, cujos jogos aconteciam antes das partidas principais? Pois que no Opus 28 de Chopin não há atração principal. Só os prelúdios, que antecedem… uns aos outros.

Na verdade, o termo aqui é usado como sinônimo de “improviso”, uma espécie de floreio lírico, geralmente muito breve. E aqui está o maior enigma da obra: cada um dos 24 prelúdios é bem curtinho. Alguns estão à beira do mero gesto. O de número 14, por exemplo, dura meio minuto, e termina como se não tivesse nem começado.

Chopin estruturou a coleção na tradição não de um Bach (e seu “Cravo bem temperado”, duas coletâneas de prelúdios e fugas em todas as tonalidades) mas na dos compositores-pianistas novecentistas, como Hummel e Moscheles. Optou por escrever somente prelúdios, nas 12 tonalidades maiores e menores, na ordem do círculo das quintas.

Provavelmente Chopin nem imaginava uma audição completa, na ordem, como se tornou padrão depois. Ouvir os prelúdios assim, de fato, é uma experiência desconcertante, mas que faz muito sentido. A alternação maior-menor dá movimento ao conjunto, a evolução tonal é cativante e o desfile de climas e eventos musicais não para de surpreender o ouvinte.

A uma abertura que parece um borrão, seguem prelúdios muito sérios e estáticos (4 – não, não é Tom Jobim!), outros que são verdadeiros coriscos (10), uma mazurca ali (7 – saca as sílfides?), uma cena feérica acolá (23), uma marcha fúnebre (20), uma tempestade eventual (22), uma declamação épica (24). O meu favorito e provavelmente o mais famoso também é o de número 15, com uma seção central assustadoramente dramática e pesada.

Junto com sua Sonata no. 2, também repleta de enigmas, este conjunto de 24 Prelúdios é das obras mais modernas de Chopin. Nada nela é convencional, fácil ou – como no clichê associado ao compositor – “comportado mas sonhador”. É música com eme maiúsculo, das mais anticonvencionais do século 19.

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Post escrito por Adriano Brandão em 13/02/2014. Link permanente.