Grieg

Concerto para piano

por Adriano Brandão

… mas é claro que o parzinho do Concerto para piano de Schumann é o Concerto para piano de Grieg! Estava fácil demais! :)

Começa na tonalidade: ambos os concertos são em lá menor. E começa no começo também: uma “explosão” orquestral, seguida por uma espécie de floreio do solista, que é encadeado pela exposição do tema principal, moderado, pelas madeiras e, depois, pelo piano. (Repare que o procedimento schumanniano é um bocado mais compacto, porém.) E as similaridades se somam (outro exemplo: a cadenza e a conclusão do primeiro movimento), mas o que importa mais é a semelhança do estilo lírico geral.

O noruguês Edvard Grieg é mais ou menos uma geração mais novo que Schumann. Ainda bem novinho, estudou no Conservatório de Leipzig, e nesse período teve a oportunidade de ouvir o Concerto op. 54 executado por Clara Schumann (uia!). A experiência deve ter se cristalizado na memória. Em 1868, vários anos depois, já de volta à Noruega, compôs o seu próprio concerto. BINGO! A obra ficou imensamente célebre, e até hoje é ainda mais conhecida que sua inspiração imediata.

O que Grieg faz diferente de Schumann? Várias coisas. Em primeiro lugar, o concerto do norueguês é bem menos camerístico: o piano tem uma proeminência quase chopiniana. (Certamente a carreira de Grieg como pianista virtuose influenciou aqui.) Em segundo lugar, Grieg é bem menos preocupado com estrutura: ele se perde um pouquinho em várias oportunidades, alonga tudo um bocado, e dá ao concerto um caráter meio rapsódico, principalmente nos movimentos rápidos. Em terceiro lugar, porém mais importante, é a maneira como Grieg insere material “folclórico” na obra. O concerto é um exemplar do nacionalismo romântico da segunda metade do século 19. Exemplo claro disso é o finale com ritmos de halling, a dança norueguesa.

Mas eu queria destacar a diferença que mais me afeta, particularmente: o movimento lento. Schumann, em seu concerto, optou por um trecho curto à guisa de intermezzo, fazendo somente a ligação entre os movimentos externos. Grieg, ao contrário, colocou a melhor de suas inspirações no seu adagio: é lindo até dizer chega! Ele começa somente com a orquestra, suavemente, para daí o solista entrar, criando um clima totalmente diferente, luminoso, diáfano… OH DEUS OH DEUS OH DEUS *apneia* *respira*

É extraordinário além da classificação!

O concerto de Grieg provou-se uma obra-prima precoce, provavelmente sua peça mais popular e é um cavalo-de-batalha imbatível do repertório de piano e orquestra. É uma belezinha do começo ao fim, mas só pelo SUPREMO movimento lento já merece um espaço especial aí no seu coração de ouvinte. Entendido?

Semana que vem, voltaremos um pouquinho no tempo e avançaremos um montão no estilo… o que será que vem por aí? :)

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Post escrito por Adriano Brandão em 17/03/2014. Link permanente.