Mozart

Concerto para piano no. 24

por Adriano Brandão

Já comentei aqui: a minha introdução ao mundo da música foi feito através dos concertos para piano e orquestra de Mozart. Comecei pelos mais famosos – o 21 e o 23 – e logo cheguei a outras maravilhas, como o 9, o 14, o 20, o 25. Claro que, enquanto isso, fui viajando em outras terras musicais: Beethoven, Bach, Schumann, Brahms, Stravinsky. Isso foi há 26 anos!

Pois que só fui conhecer aquele que é hoje meu concerto mozartiano favorito muito tempo depois: o Concerto para piano no. 24. Confesso que eu já estava um pouco distante de Mozart. A música da segunda metade do século 19 e do início do século 20 praticamente monopolizavam minha atenção. Mas quando ouvi o 24, UAU, deu um estalão gigante no meu cérebro. Como fiquei tanto tempo sem conhecer essa música?

Talvez eu seja enviesado pela minha própria jornada, mas acho sinceramente que os concertos para piano de Mozart são o mais perfeito conjunto de concertos da história. Nem Beethoven, nem Brahms lhe rivalizam. Mozart aqui obtém o mais notável equilíbrio entre intimismo e cerimônia pública, entre poesia e virtuosismo, entre a miniatura e a grande forma. O mais incrível é que Mozart refez a mágica 27 vezes!

O Concerto no. 24 é em dó menor e é bem interessante lembrar que, dos 27 concertos, somente dois são em tom menor (este e o 20, em ré menor). Ao contrário do seu antecessor, tumultuado e ansioso, quase romântico, o 24 é mais sóbrio e contido. Continua escuro, meio sombrio, mas muito mais patético que dramático.

O melhor exemplo é o iniciozinho da obra, com o tema principal exposto sutilmente, numa seriedade absoluta. O movimento se encaminha para um desenvolvimento de arrepiar e, após a habitual cadência, uma novidade: o piano retorna para fechar o movimento à meia-voz, sem nenhuma pompa e com todo o mistério.

Após um maravilhoso movimento lento em tom maior, o sombrio dó menor retorna para o finale, um tema e variações bastante direto ao assunto e todo cheio de pontos de escuridão. O Mozart alegre e festeiro dos habituais rondós que fecham seus concertos aparece vez ou outra, mas o clima geral é de seriedade e certa agitação contida. E o final do concerto, absolutamente impressionante, reforça isso.

Chega de papo! O Concerto para piano no. 24 de Mozart é uma obra-prima maiúscula, um gigante entre gigantes, e mais do que qualquer outra merece a honraria do SELO DE EXCELÊNCIA DO GRANDE CARVALHO. Nem bobeie – clique logo!

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Post escrito por Adriano Brandão em 16/01/2013. Link permanente.