Mozart

Sinfonia no. 25

por Adriano Brandão

Geralmente associamos a música da segunda metade do século 18 (o classicismo, portanto) à economia de meios, à elegância e à perfeição formal. Está certo, mas essa época foi especialmente turbulenta, principalmente em termos filosóficos e políticos (poxa vida, a Revolução Francesa!) mas também nas artes.

Dou um exemplo: Goethe tinha uns 25 anos e emplacou nesta época um sucesso fenomenal, “Os sofrimentos do jovem Werther”, com seu plot de amor impossível, desencontros em série e – SPOILER! – suicídio no final. A história, de ação rápida e cheia de reviravoltas, marcada pela emoção tumultuada do personagem principal, serve de resumo da tendência artística que começava a tomar conta da Europa: o movimento “Tempestade e ímpeto” (em alemão, “Sturm und drang”).

A música não ficou alheia nem à tempestade nem ao ímpeto: os filhos de Bach, os sinfonistas de Mannheim, Wanhal, Haydn… todo mundo começou a experimentar um estilo cheio de grandes contrastes dinâmicos, temas angulosos, repletos de saltos e efeitos dramáticos, invariavelmente em obras em tom menor.

O Mozart adolescente teve sua fase de “Tempestade e ímpeto” – muito distante da graciosidade simétrica de seu estilo usual. Sua obra mais famosa nessa linguagem é a Sinfonia no. 25, de 1773, em… sol menor! (Ha! Completamos a série do “Mozart em sol menor“!)

Todo mundo conhece a sinfonia do filme “Amadeus”, que começa justamente com ela. O início, de um dramatismo todo escuro e agitado, ansioso, é simultaneamente representativo tanto do Mozart em sol menor quanto do “Tempestade e ímpeto”. A orquestração austera, muito centrada nas cordas, e o tema principal cheio de grandes saltos, ampliam o aspecto tenso do primeiro movimento, realmente memorável.

Os movimentos que lhe seguem se não exatamente estão no mesmo nível de ansiedade, são notavelmente próximos em tom e estilo. Prova da grande unidade da obra: o único movimento que não está no sol menor inicial é o andante, em tom maior. O finale, particularmente, forma um par perfeito com o incrível movimento inicial – é música do mesmo exato molde, embora variada e nunca monótona. Coisa de gênio!

Obra-prima. E… ahem… sabe quantos anos Mozart tinha em 1773? 17. Dezessete. DE-ZES-SE-TE! #chupagoethe #chupamundo

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Post escrito por Adriano Brandão em 06/03/2014. Link permanente.