Dukas

“O aprendiz de feiticeiro”

por Adriano Brandão

Bem-vindos à nova casa :) Muito bom começar a semana com grandes novidades. Espero que todos gostem!

Aliás, aproveitem a deixa para darem uma passeada pelo nosso site. Na lateral direita da homepage há várias listas. Uma de compositores, outra de gêneros e outra de países. A gente catalogou todos os nossos artigos de acordo com esses critérios. É só clicar e ver de quais sinfonias falamos, ou de qual Mozart já comentamos, ou que obras dinamarquesas ouvimos. Vai lá, é divertido! ;-)

Segunda-feira de novidades e também de série. “Mágico, fantástico, lendário” segue a todo vapor. Na semana passada falamos de “O caçador maldito” de Franck, compositor de importância capital para a música francesa. Foi com Saint-Saëns e Franck que começaram a ruir as velhas implicâncias com música sinfônica nessa França obcecada por ópera.

Franck, muito mais que Saint-Saëns, conseguiu reunir em torno de si vários compositores mais jovens que, cada um ao seu jeito, passaram a emular o mestre. Cromatismo wagneriano, forma cíclica lisztiana, extremo cuidado arquitetônico, todos os preceitos franckianos foram absorvidos por seus pupilos – entre eles Chausson, Duparc, o próprio d’Indy, Vierne…

O jovem Paul Dukas, colega de Debussy no Conservatório, não foi aluno de Franck, mas não pôde escapar à sua influência. Compôs duas obras que muito devem ao mestre: sua Sinfonia em dó maior, de 1896, e o celebérrimo poema sinfônico “O aprendiz de feiticeiro”, de 1897. Sabe o plot aviso-desafio-punição de “O caçador maldito”? Está todo ali :)

A história, baseada em uma lenda alemã transformada em poema por Goethe, é a de um pequeno camundong… ops, não! “O aprendiz de feiticeiro” conta a historinha de um jovem mago – não, não é o Harry Potter – que, para cabular o trabalho pesado que seu mestre havia lhe passado, decide enfeitiçar uma vassoura e torná-la sua escrava.

O problema é que ele sabia FAZER o feitiço, mas não DESFAZÊ-LO. A vassoura entre em freak mode, começa a destruir a oficina do grande feiticeiro, e o aprendiz, sem saber o que fazer, decide quebrá-la com um machado. Obviamente não dá certo: os pedaços da vassoura se transformam em novas vassouras, o caos impera e só com o retorno do mestre as coisas voltam ao normal.

TODO MUNDO conhece plot e música graças ao filme de Walt Disney, “Fantasia”, que botou Mickey Mouse como o aprendiz. A animação é incrível, de uma qualidade absolutamente inacreditável para 1940, e popularizou a obra de Dukas. O que pouca gente sacou é que Disney pediu para o regente Leopold Stokowski cortar a peça original em mais ou menos um terço de sua extensão, para ficar melhor no filme.

A música é maravilhosa. Começa com um “era uma vez” típico, que descreve o ateliê do feiticeiro, o aprendiz e o aviso do patrão de “não fode com tudo enquanto eu estiver fora”. Em seguida, surge o fodástico tema da vassoura-autômato, aquela marchinha maldita, hilária e aterrorizante ao mesmo tempo, e as muitas tentativas do aprendiz de desfazer a magia (ouça o tema do início retornando, mas nunca plenamente repetido). A cena da machadada é sensacional: o motivo da vassoura é literalmente quebrado em muitos pedaços que aos poucos se reúnem novamente. No final, o tema do mestre retorna e só restam lamúrios para o pobre aprendiz.

É! Está tudo na música! Dukas era mesmo DUKAS – tumdumtssss! (Irresistível. Foi mal.)

Abaixo, dois vídeos. Uma execução da obra integral, em concerto:

E a versão Mickey Mouse que, por mais mutilada que seja, ainda permanece soberba:

“Mr. Stokowski! Mr. Stokowski!”

BONUS TRACK: como o YouTube é mesmo sensacional, abaixo está uma versão da obra para OITO pianos! Putz!

Dos mesmos diretores de Ilha Quadrada, eis o Concertmaster, um front-end que transforma o Spotify em um poderoso player de música clássica. GRÁTIS!

Post escrito por Adriano Brandão em 04/02/2013. Link permanente.